ATM | Associação de Investidores

  • Increase font size
  • Default font size
  • Decrease font size
Error
  • Error loading feed data.

A fusão da Zon com a Optimus da Sonaecom

E-mail Print PDF

Por Filipe Alves

LISBOA, 8 Jan (Reuters) - A fusão da Zon com a Optimus da Sonaecom poderá obrigar a empresária angolana Isabel dos Santos e a Sonaecom a lançarem uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) sobre a líder do 'pay-TV' em Portugal, disse o presidente da Associação de Investidores e Analistas Técnicos do Mercado de Capitais (ATM).

Esta OPA, cujo lançamento depende de decisão da Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) que regula a Bolsa, poderá ser necessária para proteger os direitos dos accionistas da Zon, adiantou Octávio Viana, em entrevista escrita à Reuters.     

A fusão, que terá lugar com a integração da Optimus na Zon, dará origem à segunda maior 'telecom' portuguesa, que passará a ser detida em mais de 50 pct por uma 'joint-venture' de Isabel dos Santos e da Sonaecom. 

A lei portuguesa exige, como regra geral, que os accionistas sózinhos ou concertados que alcancem o controlo de uma cotada tenham de lançar uma OPA, mas esta obrigatoriedade pode ser derrogada pela CMVM em casos de fusão por incorporação.

A 'joint-venture' quer evitar o lançamento de uma OPA e já anunciou que, se a assembleia-geral da Zon aprovar a fusão, avançará então com o pedido formal de derrogação à CMVM.

"A CMVM tem de assegurar, em primeiro lugar, o tratamento igual dos accionistas detentores de valores mobiliários da mesma categoria e a qualidade da informação prestada ao mercado", disse o presidente da ATM, que tem desempenhado um papel activo na defesa dos interesses dos pequenos investidores.

"(Isto) poderá obrigar a que a CMVM exija uma OPA, caso não seja possível assegurar de forma inequívoca essa igualdade de tratamento", acrescentou Octávio Viana.

Ressalvando que é ainda "extemporâneo" fazer qualquer juízo definitivo sobre a fusão, uma vez que ainda não é conhecida a totalidade dos seus detalhes, frisou que a informação aos accionistas tem de ser "completa, actual, objectiva e lícita".

A Zon e a Optimus estão ainda a ultimar os detalhes da operação, prevendo-se que até ao final do mês seja divulgado o projecto de fusão, que será submetido à aprovação dos respectivos accionistas em assembleias-gerais em Fevereiro.

"Uma operação de mercado, como é o caso de uma OPA, é sempre mais transparente e mais fácil de interpretar o seu valor do que uma operação com contornos de fusão onde são criadas sociedades detidas por accionistas, como parece que vai acontecer na fusão em causa", referiu Octávio Viana.       

Além disso, lembrou que a Optimus "representa cerca de 90 pct do EBITDA-Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciações e Amortizações da Sonaecom, pelo que é uma operação materialmente relevante, que poderá exigir o lançamento de uma OPA nos termos do artigo 178 do Código de Valores Mobiliários". 

Adiantou que a ATM está "muito atenta a este ponto e a estudar quais as implicações legais por esta óptica".

"Relembro apenas que, caso a operação se revista de uma Oferta Pública de Troca (OPT), os activos a servir de contrapartida devem ter adequada liquidez e ser de fácil avaliação. Se isso não acontecer, deverão ser substituídos por dinheiro", acrescentou o presidente da ATM.

"Se não for garantido um tratamento igual dos accionistas detentores dos valores mobiliários da mesma categoria e a qualidade de informação nos termos do Código de Valores Mobiliários e restantes leis, agiremos pelos meios que consideramos que melhor defendem os interesses dos nossos associados e dos restantes pequenos accionistas", alertou.

A Optimus é detida a 100 pct pela Sonaecom, enquanto a Zon tem como principal accionista Isabel dos Santos, com 28,8 pct.

OPERAÇÃO "POSITIVA" PARA AS DUAS 'TELECOMS'

O presidente da ATM considerou que a fusão entre a Zon e a Optimus tem "todo o racional económico e deverá permitir uma optimização dos recursos com ganhos de economia de escala e sinergias".

"Enquanto operação de optimização e reestruturação num mercado que o exige, temos de aceitar que é boa para as empresas envolvidas e, teoricamente, para os seus accionistas, desde que se garanta a igualdade de tratamento dos accionistas detentores da mesma categoria de acções", destacou.   

Segundo analistas, a fusão vai criar um 'player' com músculo para competir em todos os segmentos de negócio com a incumbente Portugal Telecom, gerando elevadas sinergias entre 300 e 700 milhões de euros (ME), dada a elevada complementaridade operacional entre a Zon e a Sonaecom. 

As acções da Zon seguem a subir 0,03 pct na NYSE Euronext Lisbon <.AD.LS>, para 3,205 euros, enquanto a Sonaecom desce 0,54 pct para 1,485 euros, face a uma queda de 0,08 pct do índice 'benchmark' PSI20  

(Editado por Sérgio Gonçalves)


Last Updated on Thursday, 10 January 2013 00:17  

LOGIN DE SÓCIO

DIFUSÃO DE INFORMAÇÃO


RSS
YouTube
Junte-se ao nosso grupo
Junte-se à nossa rede
Siga-nos