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Investidores acusam Cimpor de ajuda ilegal ao maior accionista

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Associação de Investidores e Analistas Técnicos do Mercado de Capitais denunciou no Parlamento alegada «assistência financeira ilegal» à InterCement e «desvalorização» da Cimpor, na sequência da OPA.

Os pequenos accionistas da Cimpor acusam a gestão da cimenteira de estar a «desmantelar a empresa», através da «transferência do seu valor para o accionista maioritário, a InterCement». A subsidiária do grupo brasileiro Camargo Corrêa Cimentos é hoje dona de 94,1% da Cimpor, depois da oferta pública de aquisição (OPA) concretizada em Junho do ano passado.

«A Cimpor está a prestar de forma ilegal assistência financeira à InterCement e a trocar os bons activos que detinha por outros que são simplesmente lixo, tudo isto à custa dos pequenos accionistas e demais stakeholders», pode ler-se numa carta enviada à Comissão Parlamentar de Economia e Obras Públicas, pela Associação de Investidores e Analistas Técnicos do Mercado de Capitais (ATM).

Repudiando estas informações, fonte oficial da Cimpor declara ao SOL que «o Conselho de Administração da Cimpor deliberou a permuta de activos com a InterCement e deu-lhe execução, em rigorosa conformidade com o constante dos documentos da OPA lançada pela InterCement sobre a Cimpor e no interesse desta, respeitando integralmente a lei e os melhores procedimentos de governance».

No documento da ATM enviado ao Parlamento, com data de 20 de Março e a que o SOL teve acesso, a associação – em nome dos pequenos accionistas da Cimpor, onde o free-float é de 5,9% – questiona, por exemplo, «como é possível que os activos da InterCement tenham sido transferidos para a Cimpor com dívidas associadas de 2.034 mil milhões de euros, o equivalente a 6,2 vezes o EBITDA?».

A Cimpor, segundo a fonte oficial, afirma que «conforme igualmente previsto no Prospeto, as avaliações das operações da Cimpor e da InterCement objeto da permuta foram realizadas por dois bancos de investimento independentes de reconhecida competência (Morgan Stanley e Rothschild), em estrito cumprimento das normas e melhores práticas aplicáveis».

A ATM escreve ainda que, nas contas de 2012, «a Cimpor informa que a dívida líquida aumentou 1,5 mil milhões de euros, mas optou por ignorar 382 milhões de euros devidos pela InterCement a serem pagos no prazo de seis meses, aparentemente porque tal implica uma assistência financeira à InterCement sem qualquer cobrança de juros, ou seja, à custa dos accionistas remanescentes da Cimpor e demais stakeholders».

Mas a Cimpor garante, de acordo com a mesma fonte oficial, que «a operação de permuta foi efectuada tendo por base o Equity Value dos dois conjuntos de activos a permutar». E, «como resultado da avaliação dos negócios da InterCement e dos negócios desenvolvidos pelos activos da Cimpor objecto da permuta, resultou num ajustamento a liquidar pela Cimpor à InterCement no valor de 382 milhões de euros, estando este devidamente considerado no balanço da Cimpor, apresentado no Anúncio de Resultados de 2012», acrescenta a fonte oficial em resposta às perguntas do SOL.

Investidores vão ao Parlamento

A carta assinada por Octávio Viana, presidente da ATM que o SOL tentou contactar sem sucesso, suscitou a atenção do grupo parlamentar do PS. «É uma exposição preocupante sobre a situação da Cimpor e vamos já, na próxima quarta-feira, reunir com a associação para decidirmos depois o que fazer», declarou ao SOL Basílio Horta, deputado do PS e membro da Comissão Parlamentar de Economia e Obras Públicas. «Isto faz-nos antever que se confirmam os nossos piores receios quanto à OPA da Cimpor, e muito provavelmente vamos ter de chamar ao Parlamento quem participou neste processo: os presidentes da CGD, da CMVM, e a secretária de Estado do Tesouro e Finanças», rematou.

A ATM, na carta, diz ainda que «é também do nosso conhecimento que a CMVM está a investigar» a situação e «está bastante preocupada». Contactada pelo SOL, fonte oficial do regulador confirma que «a CMVM está a analisar o processo com vista à permuta de activos, prevista na OPA da Cimpor», mas frisa que «não há para já qualquer suspeita, sendo este um processo normal, em que tem de ser prestada informação ao mercado, como a empresa tem vindo a fazer».

Transferência de activos

Quando foi realizada a OPA, a InterCement fez um acordo com a Votorantim, outra cimenteira brasileira. Em primeiro lugar, alguns activos da Cimpor (Espanha, Marrocos, Tunísia, Turquia, Índia, China e Peru) passaram para a InterCement, acompanhados por 21,2% da dívida líquida consolidada da cimenteira lusa.

Depois, esses activos foram para a Votorantim. Em troca, esta empresa entregou as acções correspondentes a 21,2% do capital da Cimpor. Depois, passaram activos e operações da InterCement para a Cimpor, entre os quais, do Brasil, Argentina, Paraguai e Angola.

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in Sol


Last Updated on Sunday, 07 April 2013 23:59  

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