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Associação de investidores: Obrigações do Banif não compensam risco associado ao banco

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A Associação de Investidores e Analistas Técnicos aconselha os investidores a informarem-se bem antes de irem ao aumento de capital do Banif e considera que a remuneração das obrigações não é proporcional ao risco do banco.

"Relativamente às obrigações, os investidores têm de ponderar se a taxa oferecida é ajustada ao risco da instituição", disse o presidente da ATM - Associação de Investidores e Analistas Técnicos do Mercado, Octávio Viana, para quem a taxa de juro oferecida nas obrigações (7,5% anual) "não acompanha, em termos comparativos a outros investimentos obrigacionistas em empresas cotadas e com um 'rating' melhor".

Octávio Viana considera "inequívoco que se está perante uma instituição de alto risco, considerando as características do Banif (pertence ao sector financeiro, teve de receber 1.100 milhões de euros de dinheiros públicos que deixou o Estado com cerca de 99% do banco e em que foram descobertas várias operações com elevados prejuízos).

Assim, adiantou, os "investidores podem perder capital investido", pelo que os aconselha a ponderar bem os riscos que estão dispostos a assumir quando decidem comprar dívida do banco.

Quanto à compra de acções do Banif, o presidente da ATM diz que depende do "perfil de risco" que o investidor está à procura.

O presidente da ATM disse que teve contactos com investidores que se sentem "atraídos" pelo preço das acções, um cêntimo, mas alerta para as consequências associadas ao baixo preço e ao elevado número de acções colocadas à venda, já que a elevada dispersão de acções tornará "mais difícil um movimento de preços no sentido ascendente".

Isto porque, explicou, com um elevado número de acções em negociação, uma alteração mesmo que aparentemente pequena no preço das acções implicaria uma variação significativa no valor de mercado do banco.

Por exemplo, se as acções do Banif estiverem a dois cêntimos em bolsa e subirem para 4 cêntimos, significa uma duplicação da capitalização bolsista do banco e, logo, do seu valor de mercado.

Quanto à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), o presidente da ATM disse que esta tem cumprido o seu papel de supervisionar a operação: "Está a acompanhar de muito perto e com razão. Não numa atitude paternalista, de recomendar se investidores devem investir ou não, mas de saber se têm a informação conivente para poderes decidir em consciência", disse.

Otávio Viana afirmou ainda que, no caso específico, dos títulos que são vendidos aos balcões do próprio banco é preciso assegurar que estão a ser cumpridos os deveres de informação, uma vez que "a sobrevivência do Banif depende do próprio aumento de capital".

Os investidores enfrentam ainda o risco de diluição das suas acções logo a partir do momento em que as compram, uma vez que o Banif não reembolsou o Estado em 150 milhões de euros como previsto até final de Junho, dando a possibilidade ao Estado de converter as obrigações que detém em acções especiais. Isso iria provocar uma imediata diluição das acções.

Na passada segunda-feira, arrancou um aumento de capital do Banif no montante de 100 milhões de euros, com a venda ao público de acções a um cêntimo.

Este aumento de capital é acompanhado por uma emissão de obrigações (com maturidade de três anos e uma taxa de juro anual fixa de 7,5%), a qual está reservada aos detentores de acções.

O banco realizou a 26 de Junho a primeira fase do seu aumento de capital social, em 100 milhões de euros, numa operação que foi subscrita pelos principais accionistas, o que permitiu adiar a restante injecção de capital que levará o Estado deixar de ter o controlo do banco. Esta segunda fase do aumento de capital termina a 19 de Julho.

Acções acumularam queda de 40% esta semana

As acções do Banif renovaram hoje o mínimo histórico, ao fecharem a valer cinco cêntimos, depois de no acumulado da semana terem perdido cerca de 40% quando o banco está a levar a cabo um aumento de capital.

Esta semana, apenas na segunda-feira é que os títulos do Banif fecharam no verde e desde então têm estado sempre a cair, num momento em que o banco está a levar a cabo um aumento de capital de 100 milhões de euros, com a venda ao público de acções a um cêntimo, dando também a possibilidade a quem comprar acções de adquirir obrigações com uma taxa de juro anual de 7,5%.

Segundo um especialista de mercado ouvido pela Lusa, o "comportamento em bolsa do Banif é normal" e parte da explicação tem a ver com um "mero ajustamento ao preço teórico do aumento capital", a que se justa a queda que esta semana sofreram todos os títulos do sector financeiro em resposta à crise política.

"O preço a que o Banif chegou hoje já me parece exagerado, mas até seis cêntimos é ajustar o preço ao aumento de capital", afirmou a mesma fonte de mercado.

Em Janeiro, o Banif recebeu 1.100 milhões de euros de dinheiros públicos (700 milhões em acções e 400 milhões em instrumentos de dívida convertíveis em acções, as chamadas 'CoCo' bonds), no âmbito do processo de recapitalização que deixou o Estado com o controlo de cerca de 99% da instituição. 

Em contrapartida, até final de Junho, Banif ficou obrigado a realizar um aumento de capital de 450 milhões de euros, para que o controlo do banco regressasse a mãos de investidores privados, e comprometeu-se a devolver ao Estado 150 milhões de euros do financiamento público que obteve através das 'CoCo bonds'.

No entanto, até final do mês passado, o Banif apenas aumentou o seu capital em 100 milhões de euros, que foi subscrito pelos seus principais accionistas (a 'holding' Rentipar, através da Açoreana Seguros, e do grupo Auto-Industrial), reduzindo a participação do Estado no Banif para 86,881%.

O aumento de capital agora em curso, se for concretizado, vai reduzir a participação do Estado para 77,3% e permitirá ao banco ter o capital suficiente para pagar os 150 milhões de euros ao Estado do financiamento que obteve.

in Jornal de Negócios

 

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